Eternos Disney+

Filme • 2021

Review de Eternos: filme da Marvel vale a pena?

Eternos vale a pena para quem gosta de filmes de super-herói com escala cósmica, visual grandioso e proposta mais contemplativa. É uma experiência diferente dentro da Marvel, menos acelerada e mais interessada em mitologia, dilemas e construção de universo. Pode não agradar quem espera ação constante, humor frequente e ritmo tradicional do MCU.

GêneroAção
PlataformasDisney+
Duração2h 36min
Classificação14 anos

Review Eternos sem Spoiler

Eternos é um dos filmes mais ambiciosos da Marvel Studios, não apenas pelo tamanho da história que tenta contar, mas também pela forma como se distancia da estrutura mais comum do estúdio. Dirigido por Chloé Zhao, o longa aposta em uma narrativa de ação com forte peso mitológico, apresentando um grupo de seres imortais que acompanha a humanidade há milhares de anos. Em vez de começar com um herói individual e construir sua jornada aos poucos, o filme já parte de um conjunto amplo de personagens, relações antigas, conflitos internos e uma missão que envolve o passado, o presente e o futuro da Terra.

Dentro do gênero de ação, Eternos funciona de maneira diferente de outros filmes de super-heróis. Há batalhas, poderes variados, criaturas ameaçadoras e momentos de grande espetáculo visual, mas o foco não está apenas na pancadaria ou na urgência de derrotar um vilão. O filme dedica bastante espaço à origem dos personagens, às regras desse universo e às consequências emocionais de existir por séculos observando a evolução humana. Isso torna a experiência mais contemplativa, o que pode ser um ponto positivo para quem busca algo mais denso, mas também pode deixar o ritmo irregular para quem espera uma aventura mais direta.

Visualmente, o filme é um dos pontos mais fortes. A fotografia valoriza paisagens naturais, cenas abertas e uma sensação de escala que combina bem com a presença dos Celestiais e com a ideia de seres que atravessam eras. As sequências de ação têm boa identidade, especialmente porque cada Eterno possui uma habilidade diferente, o que ajuda a variar os confrontos e dar personalidade ao grupo. O design dos poderes também chama atenção, com efeitos dourados e movimentos que criam uma assinatura visual própria dentro do universo Marvel.

O elenco é outro destaque importante. Gemma Chan, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Brian Tyree Henry, Lauren Ridloff, Barry Keoghan, Don Lee e Lia McHugh formam um grupo diverso, com personagens que representam diferentes formas de lidar com tempo, fé, amor, culpa e responsabilidade. Nem todos recebem o mesmo desenvolvimento, o que é esperado em um filme com tantos protagonistas, mas alguns arcos conseguem criar boas camadas dramáticas e tornam o conflito central mais interessante do que uma simples luta entre bem e mal.

O principal problema de Eternos está justamente na quantidade de coisas que ele tenta abraçar. O filme precisa apresentar uma nova equipe, explicar uma mitologia complexa, conectar passado e presente, construir romances, conflitos familiares, dilemas morais e ainda entregar espetáculo de super-herói. Em alguns momentos, essa ambição pesa no ritmo e deixa certas relações menos aprofundadas do que poderiam ser. Ainda assim, o resultado tem personalidade e se diferencia dentro da categoria de filme de heróis.

Para quem procura um título da Marvel disponível no Disney+, Eternos pode ser uma boa escolha quando a intenção é assistir a algo visualmente grandioso, com ação, fantasia cósmica e uma abordagem mais séria. Não é o filme mais divertido ou equilibrado do MCU, mas é um dos que mais tenta expandir o tom e a escala desse universo.

Pontos fortes

  • Visual grandioso, com fotografia mais natural e cenas de grande escala.
  • Mitologia cósmica interessante dentro do universo Marvel.
  • Elenco diverso e com boas presenças dramáticas.
  • Poderes visualmente bem definidos e fáceis de diferenciar.
  • Proposta mais autoral e contemplativa do que o padrão do MCU.

Pontos fracos

  • Ritmo irregular em vários momentos.
  • Muitos personagens para pouco desenvolvimento individual.
  • Algumas relações importantes parecem apressadas.
  • A ação pode parecer espaçada demais para quem espera aventura constante.
  • A construção da mitologia é pesada e pode cansar parte do público.

Notas por critério

geral

7/10

visual

9/10

audio

8/10

enredo

7/10

Para quem é

Eternos é indicado para quem gosta de filmes de super-herói com escala épica, fantasia cósmica, mitologia e conflitos morais. Também funciona para fãs da Marvel que querem conhecer uma parte mais ampla do MCU, especialmente envolvendo Celestiais, seres imortais e ameaças ligadas à origem da humanidade. É uma boa opção para quem aceita um ritmo mais sério e menos dependente de humor.

Para quem não é

Eternos não é a melhor escolha para quem espera um filme de ação rápido, leve e cheio de piadas no estilo mais tradicional da Marvel. Também pode frustrar quem prefere histórias com poucos personagens, conflitos simples e evolução mais direta. Quem busca apenas diversão imediata talvez ache o longa longo, denso e menos empolgante do que outras produções do MCU.

Spoilers (abrir)

Com spoilers, Eternos se torna mais interessante quando revela que a missão dos protagonistas não era apenas proteger a humanidade dos Deviantes. A grande virada está na descoberta de que a Terra serve como incubadora para o nascimento de um Celestial, e que esse processo destruiria o planeta. Esse conflito muda completamente o peso da história, porque coloca os Eternos diante de uma escolha moral: obedecer ao propósito para o qual foram criados ou defender a humanidade que aprenderam a amar. A divisão entre os personagens dá mais força ao drama. Ikaris se mantém fiel ao plano original, mesmo quando isso significa trair o grupo e aceitar a destruição da Terra. Sersi, por outro lado, representa a mudança emocional dos Eternos, escolhendo a vida humana acima da missão cósmica. A morte de Ajak e a postura de Ikaris tornam o conflito mais trágico, principalmente porque o filme tenta tratar essa oposição não como simples vilania, mas como consequência de fé, dever e identidade. O final, com a interrupção do nascimento de Tiamut e a aparição de Arishem levando parte dos Eternos, abre portas para consequências maiores no MCU. As cenas pós-créditos também expandem esse caminho ao apresentar Eros e provocar o futuro de Dane Whitman com a Espada de Ébano. Mesmo que o filme não resolva tudo, ele deixa ganchos importantes para a parte mais cósmica da Marvel.

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